A Tobii Technology, líder mundial em sistemas de Eye Tracking e Gaze Interaction, representada em Portugal pela Work Value Intelligence, publicou recentemente os resultados de um novo estudo através do equipamento Tobii Glasses (sistema de eye tracking mobile – Incorporado em óculos), liderado por David Rosengrant, Professor de Física na Kennesaw State University (EUA), através do qual foram revelados padrões de atenção visual obtidos em sala de aula, envolvendo um conjunto de alunos.
Este estudo, o primeiro no seu género, fornece uma nova visão sobre técnicas eficazes que podem ser aplicadas de forma complementar aos métodos de ensino, e que visam, sobretudo, manter os alunos envolvidos e motivados a aprender durante as diferentes palestras de cada professor.
“Até agora, não houve ainda em primeira mão, uma medição concreta e de natureza biológica sobre a atenção visual do aluno em sala de aula“, afirmou David Rosengrant. “Através da aplicação metodológica do Tobii Glasses, fomos capazes de medir:
- O que o aluno observa durante uma palestra;
- Que parte de seu tempo é dedicado ao material apresentado em sala de aula;
- Quais são os maiores factores inibidores da sua atenção.”
Este estudo-piloto foi realizado durante um período de quatro meses, e envolveu oito estudantes universitários em aulas com a duração de 70 minutos, realizadas na Kennesaw State University (EUA). O uso do Tobii Glasses permitiu observar que a ideia que prevalecia anteriormente (e assumida de uma forma geral) de que a atenção visual do aluno tem o seu “pico” nos primeiros 15 minutos da aula, e que posteriormente decresce, não se verificou, tendo-se registado comportamentos muitos diferentes em relação a esta variável.
Nesta mesma perspectiva, Rosengrant confirmou que a atenção em sala de aula não é tão linear como, eventualmente, se poderia assumir e é afectada por vários factores ao longo da duração da aula. Estes factores, que contribuem para uma maior atenção por parte do aluno, incluem:
- A apresentação (verbal ou não-verbal) de novos materiais e conteúdos fora do contexto habitual em que o Professor costuma organizar a sua aula;
- O uso de humor pelo Professor;
- A proximidade do Professor em relação ao aluno (posicionamento e movimentação em sala).
Este estudo concluiu também que as chamadas “distrações digitais” constituem, naturalmente, factores inibidores da atenção visual em relação à palestra do Professor, tais como: telefones móveis, laptops, e outros dispositivos que permitem o acesso à Web (particularmente a redes sociais, como o Facebook) que funcionam como elementos altamente intrusivos na sala de aula quando não enquadrados devidamente na palestra, ou como parte integrante do estudo ou ensino, ou seja, reverter estas “distrações digitais” em instrumentos complementares de apoio ao estudo ou condução em sala, permitiriam maximizar a atenção visual do aluno, tirando partido do potencial tecnológico.
A partir destes “insights”, David Rosengrant salientou a necessidade dos professores ponderarem uma nova forma de abordagem na estrutura e condução das suas aulas, através da inserção de actividades variadas, complementadas com o uso do humor, como forma de envolvimento e atracção dos alunos, no que concerne à sua atenção visual e comportamento cognitivo.
“Espero que este estudo ajude a dinamizar a comunidade educativa sobre como envolver os alunos efectivamente em sala de aula; maximizar o foco visual do aluno nos materiais apresentados, e, em última análise, aumentar a sua realização“, acrescentou Rosengrant.
“Os dados recolhidos a partir dos padrões visuais neste estudo podem alterar de forma significativa todo o ambiente em que decorre a profissão e permitir que os professores apliquem técnicas de comunicação muito mais eficientes e com um impacto positivo sobre o sucesso do aluno.” afirmou Barbara Barclay, general manager da Tobii North America.
David Rosengrant vai publicar este estudo completo, “Studying Student Attention via Eye Tracking” no próximo Outono e vai continuar a expandir a sua investigação, a fim de gerar novos “insights” que possam impactar no sucesso dos alunos e no campo do ensino.
Embora algumas destas conclusões possam parecer algo óbvias, é a primeira vez que as mesmas foram sujeitas a medição num âmbito científico, e enquadradas neste mesmo contexto, através de tecnologia inovadora e adequada aos propósitos do estudo, o que permite utilizar estas conclusões de forma referenciada.
O tempo de aula sujeito a observação neste estudo (70 minutos) poderá variar nos diferentes sistemas de ensino a nível mundial, e esta duração também poderá ser mais propensa a eventuais “quebras” de atenção visual com maior regularidade ao longo da aula devido à sua extensão horária, no entanto, os diferentes factores analisados – quer os activadores da atenção, quer os inibidores ou intrusivos – funcionarão sempre de acordo com as suas características, independentemente do tempo estabelecido para cada sessão lectiva.

